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Como Funcionam as IAs? Do ChatGPT de 2022 aos Modelos de Raciocínio e Agentes de 2026

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Como Funcionam as IAs? Do ChatGPT de 2022 aos Modelos de Raciocínio e Agentes de 2026

IAs generativas como ChatGPT, Gemini, Claude, Llama, DeepSeek e Grok aprendem padrões a partir de grandes volumes de dados e utilizam redes neurais para gerar novas respostas. A evolução entre 2022 e 2026 levou esses sistemas de simples interfaces conversacionais para modelos multimodais, de raciocínio e capazes de utilizar ferramentas e executar tarefas em várias etapas.

Você pergunta:

“Crie uma estratégia de marketing para minha empresa.”

Alguns segundos depois, recebe um planejamento completo.

Parece que existe alguém do outro lado pensando na resposta.

Mas não é exatamente assim que funciona.

ChatGPT, Gemini, Claude, Llama, DeepSeek e Grok pertencem a diferentes famílias de modelos desenvolvidas por empresas diferentes, mas compartilham diversos fundamentos tecnológicos.

Para entender a dimensão da transformação, precisamos voltar para 2022.

2022: QUANDO O CHATGPT COLOCOU A IA GENERATIVA NA CONVERSA

Em 30 de novembro de 2022, a OpenAI apresentou publicamente o ChatGPT.

A grande mudança para o usuário comum estava na experiência.

Em vez de precisar compreender comandos técnicos complexos, era possível simplesmente conversar.

O formato permitia fazer perguntas adicionais, continuar um assunto, questionar uma resposta e desenvolver uma conversa dentro do mesmo contexto.

Foi quando milhões de pessoas começaram a perceber algo importante:

computadores agora conseguiam produzir linguagem de uma maneira surpreendentemente natural.

Mas como isso acontece?

A IA NÃO POSSUI UMA BIBLIOTECA DE RESPOSTAS PRONTAS

Uma maneira equivocada de imaginar um modelo de linguagem seria pensar em um enorme banco de respostas.

Você pergunta alguma coisa.

A IA procura a resposta armazenada.

Depois copia e entrega.

Não é assim.

A OpenAI explica que seus modelos aprendem relações e padrões existentes nos dados utilizados durante o treinamento.

Durante esse processo, parâmetros internos do modelo são ajustados.

Esses parâmetros podem ser entendidos como enormes conjuntos de valores numéricos que representam padrões aprendidos pelo sistema.

Por isso, o modelo não precisa possuir uma resposta pronta para cada pergunta possível.

Ele gera uma resposta a partir dos padrões aprendidos.

O SEGREDO COMEÇA NOS TOKENS

Para um modelo de linguagem, uma frase pode ser dividida em unidades menores chamadas tokens.

Um token pode representar:

  • uma palavra;
  • parte de uma palavra;
  • pontuação;
  • outras unidades do texto.

Esses elementos são processados matematicamente pelo modelo.

Imagine:

“O cliente decidiu comprar o…”

O modelo analisa o contexto e calcula quais continuações possuem maior probabilidade de fazer sentido.

Gera uma unidade.

Depois outra.

Depois outra.

Até formar a resposta.

É uma simplificação enorme de uma arquitetura extremamente sofisticada, mas ajuda a compreender o princípio.

ENTÃO A IA É APENAS UM “AUTOCOMPLETE GIGANTE”?

Essa comparação ajuda a entender o começo, mas se torna limitada rapidamente.

O GPT-4, por exemplo, foi treinado inicialmente para prever a próxima palavra, mas passou posteriormente por processos destinados a tornar seu comportamento mais útil e alinhado às intenções dos usuários.

A OpenAI descreveu o uso de RLHF — Reinforcement Learning from Human Feedback, ou aprendizagem por reforço com feedback humano, nesse processo.

Ou seja:

Existe o aprendizado de padrões durante o pré-treinamento.

Depois existem etapas adicionais de treinamento e alinhamento.

E essa combinação influencia o comportamento que encontramos no produto final.

2023: OS MODELOS FICARAM MUITO MAIS PODEROSOS

Em março de 2023, a OpenAI apresentou o GPT-4, aprofundando capacidades de modelos de linguagem mais sofisticados.

Mas 2023 também marcou uma expansão importante do mercado.

A Meta disponibilizou o Llama 2 em julho, incluindo pesos do modelo e versões pré-treinadas e ajustadas para conversação, com disponibilidade para pesquisa e uso comercial conforme os termos anunciados pela empresa.

Em novembro, a xAI anunciou o Grok, então ainda em estágio inicial beta. A empresa destacou sua integração com informações em tempo real provenientes da plataforma X.

E dezembro trouxe outro salto.

GEMINI E A MULTIMODALIDADE

Em dezembro de 2023, o Google apresentou o Gemini.

A família foi concebida desde o início para ser multimodal.

Isso significa trabalhar com diferentes formas de informação, incluindo:

texto + código + áudio + imagens + vídeo.

Essa palavra — multimodalidade — é fundamental para compreender a evolução recente das IAs.

O objetivo deixou de ser apenas:

“entender texto e responder texto”.

Os modelos começaram a interpretar diferentes formas de informação.

2024: A IA COMEÇA A VER, OUVIR E INTERAGIR DE OUTRAS FORMAS

Em maio de 2024, a OpenAI apresentou o GPT-4o.

O “o” significa omni.

O modelo foi apresentado com capacidade de raciocinar sobre áudio, visão e texto em tempo real e de trabalhar com combinações de texto, áudio, imagem e vídeo como entrada.

A mudança é enorme.

Imagine uma IA que não recebe apenas:

“Explique este gráfico.”

Ela pode receber o próprio gráfico.

Ou uma imagem.

Ou áudio.

O paradigma começa a sair do chatbot puramente textual para uma interface mais ampla entre humanos e computadores.

CLAUDE TAMBÉM AVANÇA NA MULTIMODALIDADE

Em março de 2024, a Anthropic apresentou a família Claude 3, composta inicialmente por Haiku, Sonnet e Opus.

Os modelos passaram a apresentar capacidades visuais para processar materiais como:

  • fotografias;
  • gráficos;
  • diagramas;
  • documentos.

A Anthropic também anunciou uma janela de contexto inicial de 200 mil tokens para a família.

Poucos meses depois, apresentou o Claude 3.5 Sonnet, ampliando novamente suas capacidades.

META: LLAMA 3 E IA DENTRO DAS REDES SOCIAIS

Em abril de 2024, a Meta apresentou sua nova experiência de Meta AI baseada no Llama 3.

A estratégia possui uma característica interessante.

A IA passou a ser integrada diretamente a ambientes utilizados diariamente por bilhões de pessoas, como:

Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.

Em setembro, modelos Llama 3.2 ampliaram recursos multimodais, permitindo que a Meta AI compreendesse, por exemplo, fotografias compartilhadas durante conversas.

2025: A CORRIDA MUDA DE “RESPONDER” PARA “RACIOCINAR”

A próxima transformação ficou ainda mais interessante.

Os laboratórios começaram a enfatizar modelos capazes de dedicar mais processamento a problemas complexos antes de produzir a resposta final.

Em fevereiro de 2025, por exemplo, a Anthropic apresentou o Claude 3.7 Sonnet como seu primeiro modelo híbrido de raciocínio, permitindo respostas praticamente imediatas ou um modo de raciocínio estendido.

A xAI apresentou o Grok 3 no mesmo mês, descrevendo modelos de raciocínio treinados com aprendizagem por reforço em larga escala, capazes de dedicar de segundos a minutos à resolução de determinados problemas.

A IA estava deixando de ser apenas:

pergunta → resposta

para incorporar processos mais sofisticados de resolução de problemas.

DEEPSEEK E O AVANÇO DO RACIOCÍNIO

Outro nome ganhou enorme projeção nessa fase: DeepSeek.

O DeepSeek-V3 foi apresentado com uma arquitetura Mixture-of-Experts (MoE) de 671 bilhões de parâmetros totais, com 37 bilhões ativados, e treinamento sobre 14,8 trilhões de tokens.

Em janeiro de 2025, a empresa lançou o DeepSeek-R1, com forte ênfase em raciocínio.

Segundo a própria DeepSeek, o pós-treinamento utilizou aprendizagem por reforço em larga escala e obteve avanços em matemática, programação e tarefas de raciocínio.

Isso ajuda a entender uma mudança fundamental.

Nem todo ganho de inteligência precisa vir simplesmente de aumentar o tamanho do modelo.

Treinamento, arquitetura, pós-treinamento, raciocínio e utilização eficiente de computação também fazem enorme diferença.

E OS MODELOS NÃO ESTÃO TODOS SENDO CONSTRUÍDOS DA MESMA FORMA

Aqui existe outro ponto importante.

Falar simplesmente “a IA” esconde enormes diferenças.

Temos famílias como:

GPT — OpenAI

Gemini — Google DeepMind

Claude — Anthropic

Llama — Meta

DeepSeek — DeepSeek

Grok — xAI

Além de empresas como a europeia Mistral AI, que desenvolve diferentes modelos para aplicações de IA.

Cada laboratório utiliza arquiteturas, dados, métodos de pós-treinamento, políticas e estratégias de produto próprias.

Por isso, dois modelos podem receber exatamente a mesma pergunta e produzir respostas bastante diferentes.

2025: MODELOS COMEÇAM A USAR FERRAMENTAS

Outra evolução importante é a capacidade de utilizar ferramentas externas.

A xAI, por exemplo, apresentou o Grok 4 com recursos nativos de utilização de ferramentas e integração com pesquisa em tempo real.

A DeepSeek também avançou em capacidades relacionadas a tool use e tarefas de agentes em múltiplas etapas.

E a Anthropic chegou a demonstrar o Claude utilizando computadores por meio de ações como observar a tela, mover o cursor, clicar e digitar.

Isso muda novamente a definição prática de uma IA.

Antes:

“Me explique como fazer.”

Agora, em determinados sistemas:

“Utilize as ferramentas disponíveis para executar.”

2026: ENTRAMOS NA ERA DOS SISTEMAS DE IA

Até 2026, a evolução mostra que pensar apenas no “chatbot” já é insuficiente.

Os sistemas modernos podem combinar diferentes elementos:

modelo + raciocínio + contexto + memória + pesquisa + ferramentas + execução.

A própria DeepSeek, por exemplo, registrou em 2026 a disponibilidade da família V4 em sua API, enquanto gerações anteriores já haviam introduzido modos híbridos de raciocínio e capacidades voltadas para agentes.

A tendência tecnológica observável entre 2022 e 2026 é clara:

conversação → multimodalidade → raciocínio → ferramentas → agentes.

MAS DE ONDE VEM O CONHECIMENTO DA IA?

Esse é um ponto frequentemente mal compreendido.

No caso da OpenAI, por exemplo, a empresa informa que seus modelos fundamentais são desenvolvidos a partir de três categorias principais de informação:

  1. informações publicamente disponíveis na internet;
  2. informações acessadas por meio de parceiros;
  3. informações fornecidas ou geradas por usuários, treinadores humanos e pesquisadores, conforme as políticas e processos aplicáveis.

Outras empresas possuem suas próprias metodologias e políticas.

A Meta, por exemplo, descreve o uso de combinações de fontes em seus sistemas generativos, incluindo informações públicas, dados licenciados e, em determinados contextos, informações de seus produtos e serviços.

Portanto, não devemos presumir que todas as IAs foram treinadas com exatamente os mesmos dados.

A IA ENTENDE O MUNDO COMO UM SER HUMANO?

Essa pergunta exige cuidado.

Modelos conseguem identificar relações extremamente sofisticadas entre informações e realizar tarefas que parecem exigir compreensão.

Mas isso não significa que devemos atribuir automaticamente a eles consciência ou experiência humana.

A explicação técnica é baseada em:

redes neurais + parâmetros + padrões aprendidos + processamento matemático + treinamento e pós-treinamento.

A própria OpenAI descreve seus modelos como grandes redes neurais cujo comportamento é aprendido a partir de dados, em vez de ser explicitamente programado regra por regra.

ENTÃO POR QUE A IA PODE ERRAR COM TANTA CONVICÇÃO?

Porque gerar uma resposta plausível não é a mesma coisa que verificar automaticamente um fato.

Sistemas generativos podem produzir informações incorretas.

A própria Meta alerta que sistemas de IA generativa podem produzir respostas imprecisas ou inadequadas, enquanto a Anthropic avalia explicitamente respostas incorretas e “alucinações” em seus modelos.

Por isso, principalmente em decisões importantes, a informação precisa ser verificada.

A LINHA DO TEMPO: 2022–2026

2022 — Conversação
A OpenAI lança publicamente o ChatGPT e populariza a interação conversacional com modelos generativos.

2023 — Expansão dos grandes modelos
GPT-4, Llama 2, Grok e Gemini ampliam significativamente o ecossistema. O Gemini nasce com forte proposta multimodal.

2024 — Multimodalidade ganha escala
GPT-4o integra texto, visão e áudio; Claude 3 amplia capacidades visuais; Llama 3 chega ao ecossistema Meta.

2025 — Raciocínio e agentes
DeepSeek-R1, Claude 3.7 e Grok 3 evidenciam a corrida por raciocínio mais sofisticado, enquanto ferramentas e capacidades de agentes ganham importância.

2026 — Sistemas mais integrados
A evolução avança para modelos que combinam raciocínio, multimodalidade, ferramentas, pesquisa e execução de tarefas complexas. Famílias continuam evoluindo, como mostra a atualização V4 da DeepSeek em 2026.

O QUE ISSO SIGNIFICA PARA AS EMPRESAS?

A discussão empresarial não deveria mais ser:

“Devemos usar Inteligência Artificial?”

A pergunta mais útil é:

“Em quais processos a IA realmente aumenta produtividade, qualidade ou capacidade da nossa equipe?”

Ela pode auxiliar em atividades como:

✔ análise de informações;

✔ produção e organização de conteúdo;

✔ atendimento;

✔ programação;

✔ pesquisa;

✔ interpretação de documentos;

✔ automação;

✔ análise de imagens;

✔ suporte a processos comerciais.

Mas ferramenta sem estratégia continua sendo ferramenta.

A tecnologia ficou muito mais poderosa entre 2022 e 2026.

Isso tornou a condução humana ainda mais importante, não menos.

CONCLUSÃO

A Inteligência Artificial generativa não funciona como uma pessoa escondida dentro do computador e também não é simplesmente um Google que escreve respostas.

Modelos aprendem padrões a partir de grandes volumes de informação, representam esse aprendizado matematicamente em seus parâmetros e utilizam esse conhecimento para gerar novos conteúdos.

Entre 2022 e 2026, vimos uma transformação extraordinariamente rápida:

Chatbots aprenderam a conversar.

Modelos passaram a interpretar imagens, áudio e vídeo.

Sistemas ganharam capacidades avançadas de raciocínio.

Ferramentas passaram a ser integradas.

Agentes começaram a executar tarefas em múltiplas etapas.

E provavelmente estamos apenas no início dessa mudança.

PERGUNTAS FREQUENTES

A IA copia respostas da internet?

Não é assim que modelos de linguagem normalmente geram suas respostas. Durante o treinamento, os parâmetros são ajustados para representar padrões aprendidos nos dados. Na geração, esses parâmetros são utilizados para produzir novo conteúdo.

O que são tokens?

São unidades utilizadas no processamento de texto e podem representar palavras inteiras, partes de palavras ou pontuação.

ChatGPT, Gemini, Claude e Grok são a mesma IA?

Não. São produtos e famílias de modelos desenvolvidos por empresas diferentes, com arquiteturas, treinamentos, recursos e estratégias próprias.

O que significa uma IA multimodal?

É um sistema capaz de trabalhar com diferentes modalidades de informação. O Gemini foi desenvolvido desde o início como multimodal, enquanto o GPT-4o foi apresentado para trabalhar em tempo real com áudio, visão e texto.

Por que as IAs erram?

Porque gerar respostas linguisticamente plausíveis não garante automaticamente que todas as afirmações sejam verdadeiras. Sistemas generativos ainda podem produzir informações incorretas.

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